Tem uma geração aí que nega a entregar-se. Às vezes entra em seu “modo de espera”, mas sempre acaba dando a cara à tapa. E como isso é bom. Desses Outros Bárbaros não escapa um, cada qual trazendo uma robusta bagagem de muita criação com a música em Florianópolis. Tem frescor, melodia, riffs e poder, uma aula de música para nos ensinar que, sim, é possível dialogar com o pop de maneira muito digna e estimulante. Não vou fugir também da analogia aos Doces Bárbaros, aquele supergrupo formado por Gil, Caetano, Gal e Bethânea, que acabou por justamente encontrar seu infortúnio em Florianópolis há quarenta anos. Injustamente castigados por sua pretensão (e diria até de um certo delegado de polícia da época). O princípio ativo que remete os Doces aos “Outros” é sim a pretensão: de construir algo importante tendo a música como fim. E tudo isso basta. Porque quem se envereda em algo “despretensioso” ou é um egocêntrico impostor ou realmente não é digno da sua atenção. Deixem que os bons barbarizem.

 

Marcos Espíndola, jornalista cultural, assessor de comunicação na Fundação Catarinense de Cultura.

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